A Energia Oculta nos Resíduos

Com seu desenfreado crescimento econômico e urbanização, a China passou a ser a segunda maior economia do mundo. E também se converteu no maior produtor de resíduos do planeta.

 

Apesar dos aterros sanitários seguirem sendo o método mais usual para o descarte de resíduos, as autoridades chinesas estão recorrendo cada vez mais a incineração (queima em fornos e redução dos resíduos a cinzas, a temperaturas entre 700°C e 900°C) para recuperação de energia. Além de reduzir a quantidade de resíduos (70% em peso e 90% em volume) e o tratamento de resíduos não recicláveis (contaminados, mesclados com materiais não recicláveis, etc.), a incineração é capaz de produzir calor ou eletricidade mediante a recuperação de energia – e existe não somente uma importante economia de combustíveis fósseis, como também a venda de parte desta energia com custo total do tratamento de resíduos menor também.

 

No 12o plano de cinco anos, adotado em março de 2011, a China fixou uma meta de aumentar a quantidade de resíduos incinerados de 10%, em 2010, para 35% entre 2011 e 2015. Para ajudar a alcançar seu objetivo, as autoridades chinesas buscam a experiência de empresas estrangeiras, especializadas no tratamento de resíduos e reciclagem – como a Veolia, que obteve numerosos contratos no Reino do Meio e desde 2005, tem operado a planta de Jiangqiao, que transforma os resíduos em energia de acordo com o contrato de operação e manutenção, que foi convertido em um contrato BOT (em português, Construir, Operar e Transferir) em 2008 – uma associação real entre a empresa e a cidade de Shanghai. Equipado com três incineradores e duas turbinas de 12,5 MW com capacidade total de 1.500 toneladas métricas por dia, em 2011 e em 2013, a planta ganhou o Prêmio de “Unidade da Civilização de Shanghai” outorgado pelo município de Shanghai. Em 2014, a planta ficou encarregada de 381.880 toneladas métricas de resíduos, processou 282.202 toneladas métricas e gerou 97.483 MWh de eletricidade – dos quais foram vendidos 72.990 MWh. O consumo elétrico de mais de 40.000 lares!